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PAISAGISMO

A justificativa para as intervenções paisagísticas baseou-se nas necessidades de renovar a infraestrutura existente, melhorar a acessibilidade e contribuir com a biodiversidade e conectividade ecológica entre a Reserva Particular do Patrimônio Natural Usina Maurício e os fragmentos e corredores de matas espalhados pela região. Dessa forma, favorece-se o fluxo gênico e a riqueza de espécies locais, criando um ambiente agradável e aconchegante, que convida as pessoas a uma comunhão e a um contato respeitoso e equilibrado com a natureza.

A escolha das espécies para o projeto de paisagismo do Museu-Parque foi baseada no inventário florístico e faunístico descrito no Plano de Manejo da RPPN, valorizando as espécies nativas e com potencial alimentício não só para a fauna local como para os habitantes e visitantes que poderão conhecer novos sabores.

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O parque não oferece como função apenas uma experiência passiva de contato com a natureza. Muito mais que isso, pretende despertar todos os sentidos.

São utilizadas espécies vegetais nativas da região, resistentes à seca e de baixa manutenção, tais como filodendros, marantas, bromélias e capins. Além disso, são introduzidas plantas ornamentais para adicionar cor e beleza aos jardins e alimentar a fauna local.

Caminhos e trilhas acessíveis foram implantados entre a vegetação, facilitando a circulação dos visitantes e o acesso às diferentes áreas do parque. Além disso, foram criados jardins temáticos compostos por espécies vegetais nativas e ornamentais, como jardins utilitários, aquáticos, cromáticos e aromáticos, pomares com frutíferas nativas e uma estufa com orquídeas, cactos, bromélias e outras plantas epífitas e rupestres típicas das matas da RPPN.

Jardins cromáticos em estilo cottage são os jardins utilitários criados pelos antigos moradores e trabalhadores da Usina. O jardim das casas de campo inglesas ou cottages têm um estilo de design informal, com materiais tradicionais, plantações densas e uma mistura de plantas ornamentais e comestíveis. Dependem mais da graça e do charme do que da grandeza, da estrutura formal e da diversidade de plantas floríferas. São jardins caseiros e funcionais ligados a casas de campo, que remontam a séculos. No Brasil, onde a biodiversidade é muito rica e o clima sempre favorável, pode-se dispor de plantas florindo o ano inteiro, com plantas floríferas a atrair abelhas nativas sem ferrão para produção de mel silvestre, além de beija-flores, borboletas, libélulas, joaninhas e outros. 

É um espaço para exibição de espécies da flora e fauna local e discussão sobre como elas se relacionam. Apresenta espécies nativas, sobretudo de epífitas como orquídeas, bromeliáceas samambaias, cactáceas epífitas como os Rhipsalis e outras.

Jardins em patamares são a forma ideal para cultivo em taludes, muito utilizado na Itália e em locais onde é difícil o fornecimento de água e nutrientes. Os terraços Incas existentes na cidade de Machu Picchu e os jardins suspensos da Babilônia teriam se utilizado dessa técnica que garante excelente exposição à luz solar, permite manter e estabilizar o solo fértil e fornecer a umidade necessária à irrigação. Estruturas de suporte, como as paredes em pedra, formam pequenos ambientes propícios ao crescimento de musgos e outras plantas comensais.

O projeto se compromete com a defesa do meio ambiente e com a redução do aquecimento global. Pequenos tanques com plantas aquáticas criam um espaço para se discutir o importante papel das plantas aquáticas que atuam como filtradoras, fornecendo abrigo e alimento para diversas espécies, e contribuindo para a manutenção da qualidade da água. Elas auxiliam na ciclagem de nutrientes, na oxigenação da água e na estabilização do sedimento, além de serem importantes fontes de alimento e refúgio para muitos animais.

Nos patamares estão dispostas frutíferas nativas da Mata Atlântica, Cambuci (Campomanesia phaea), Cambuca (Marlierea edulis), Grumixama (Eugenia brasiliensis), outrora tão conhecidas e apreciadas e que caíram em desuso pela população. Plantas nativas muitas vezes carregam nutrientes e vitaminas necessários à sobrevivência de humanos e de animais.

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Como neste espaço os eixos visuais encontravam-se obstruídos pelo excesso de bananeiras, elas foram substituídas por plantas de baixa estatura como algumas marantáceas e aráceas que ocorrem no local, sempre buscando conferir aos plantios um aspecto espontâneo e natural. 

Uma extensa passarela interliga o Galpão Oficina à Usina Maurício. No talude, estão dispostas espécies arbóreas como pau-brasil (Paubrasilia echinata), jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), guapuruvu (Schizolobium Parahyba), madeiras muito utilizadas para construção civil e mobiliário, e outras como feijoa (Acca sellowiana), babosa-branca (Cordia superba), chuva-de-ouro (Lophantera lactescens) que proporcionam sombra a quem queira contemplar o Rio Novo e o amplo gramado diante da Usina. 

O espaço multifuncional é favorável a eventos e feiras expositivas, e é um ponto perfeito para a contemplação da paisagem. Às margens do rio foram plantadas espécies tolerantes ao alagamento, como a bela palmeira buriti (Mauritia flexuosa) e árvores como a perfumada magnólia-do-brejo (Talauma ovata), o escultórico mulungu (Erythrina speciosa) e a majestosa sumaúma (Ceiba pentandra).

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